Bernardo Beiguelman, meu pai, faleceu nesta terça, dia 5.
Recebemos inúmeros emails, telegramas, abraços e palavras reconfortantes que ainda não temos condições de responder e agradecer.
Ficam, por ora, algumas lembranças de sua criatividade ímpar, seu senso de humor inesquecível e, acima de tudo, de sua generosidade afetiva e intelectual.

Ter sua Vemaguet atolada no lamaçal naquela que é hoje a avenida Ralph Tórtima, único acesso ao campus da Unicamp nos tempos de sua implantação em Barão Geraldo, no final da década de 60, era café pequeno para o professor e geneticista Bernardo Beiguelman. Poucos anos antes, as coisas eram bem piores.

Descontado o diretor da Faculdade de Ciências Médicas, Antônio Augusto Almeida, pode-se dizer que Beiguelman foi o segundo professor da Unicamp.

De tão inovadora para a época, a missão de Beiguelman chegou a causar incredulidade: criar o primeiro Departamento de Genética Médica da América Latina.

Uma tarefa que os cronistas da época classificariam de hercúlea, por conta das adversidades: laboratórios improvisados, livros escritos a toque de caixa, falta crônica de dinheiro e, por trás de tudo, escaramuças políticas. Beiguelman passa uma parte da história a limpo.

Na entrevista que segue, meu pai fala de como a genética era encarada nos anos 1960, uma espécie de “ramo esotérico da medicina”,  das perspectivas atuais da neurobiologia, de Campinas, Santos, ciência e política. Tudo, como sempre, temperado com sua clareza de exposição, ironia e arrojo intelectual.

http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/novembro2004/ju273pag06.html