Poucas palavras tornaram-se tão corriqueiras como “memória”. Aquilo que havíamos nos acostumado a pensar como questão historiográfica e psicanalítica, converteu-se num aspecto elementar do cotidiano. Uma espécie de dado quantificável, mensurável e até indicativo do status social de alguém. Há todo um fetiche da “memória” como “coisa” hoje em dia. É inegável._ Quanto de memória seu computador tem? _E sua câmera? _E o seu celular? _Tudo isso?! _Só isso?… Compram-se memórias, transferem-se memórias, apagam-se e perdem-se memórias. Curiosamente, à inflação discursiva corresponde um vazio metodológico no trato dos produtos culturais criados com os meios a que correspondem essas memórias: os meios digitais. Como preservar a memória de bens culturais que resistem à objetificação, que muitas vezes só existem contextualmente, como é o caso da net art, e que trazem no seu processamento a rotina do seu apagamento?

(Texto crítico, em desenvolvimento, para o catálogo de Brian Mackern – MEIAC, 2009)