Territorialização – Localização Muda Tudo…

[O texto que segue é um extrato de um logo ensaio Território e Agenciamento nas Redes: Em Busca da Ana Karenina da Era da Mobilidade, a ser publicado em Nomadismos Tecnológicos (Beiguelman, G. e La Ferla, J. orgs., Barcelona, Ariel, no prelo)]

O rápido crescimento da penetração dos celulares (que já atingem 61% da população mundial), o aumento do uso dos celulares para aplicações de dados (SMS, MMS, m-commerce etc.) e a expansão dos serviços de acesso à Internet com cartões das operadoras mostram que nos próximos anos a diferença entre países desenvolvidos e em desenvolvimento deve diminuir e que o acesso à Internet banda larga deverá ser móvel.[i]

Diante desses números e prognósticos, não é de estranhar que grandes empresas de análise de tendências de mercado e de investimentos, como a Morgan Stanley[ii], apostem todas as suas fichas na Internet móvel, animando a publicidade e o marketing a direcionar para as microtelas suas expectativas de ganho e lucro. Não se trata apenas de números – impressionantes, diga-se – de potenciais consumidores de aparelhos de telefonia celular ou de novos dispositivos portáteis de conexão à Internet. Estamos falando de equipamentos que se definem pela integração entre redes de acesso à Internet em alta velocidade (tecnologias 3G), transmissão e recepção de vídeo, uso de VOIP e participação em redes sociais. Tudo isso combinado a serviços relacionados a mídias locativas.

É justamente essa combinatória o que torna a navegação na Internet de linhas fixas e no celular tão diferentes e o que explica animação dos publicitários com a cultura da mobilidade. A partir de programas instalados no aparelho, feitos para facilitar e aperfeiçoar a vida de seus usuários, não apenas é possível saber onde o portador do dispositivo está, mas ter essa informação compartilhada e combinada a bancos de dados e apontando para o que está em sua vizinhança.

Em termos publicitários objetivos, isso permitirá que um consumidor, portador de um celular inteligente (ou seja, 3G, com acesso a Internet, GPS etc.), cadastrado em redes sociais como Facebook e afins, onde tem arquivados vários de seus gostos e hábitos, ao passar na frente de uma loja, receba no seu celular um cupom digital de desconto. Dito de forma simples e clara: “localização muda tudo”.[iii] Nesse contexto, as microtelas urbanas passam a comportar-se como extensões conectadas do nosso corpo no espaço físico e inserem novas variáveis nos sistemas de invasão da privacidade e rastreamento.

Não são só os métodos de rastreamento e fomento ao consumo que mudam com isso. Muda também nossa relação com o as marcas que passam a constituir camadas de nossa subjetividade, transformando-nos em “fansumidores”[iv] felizes de marcas e sua capacidade de satisfazer desejos que sequer havíamos desejado. O processo de “brandificação” do cotidiano e das relações pessoais opera aí de maneira perversa, por meio da introjeção de valores corporativos que se sobrepõem e confundem-se com valores sociais. Nesse contexto, passamos a nos relacionar via o imaginário das marcas, que se convertem no “alfabeto” das nossas identidades: “Você é uma pessoa Mac ou uma pessoa PC? Quem você está vestindo? O que está na sua lista do Netflix”?[v]

Esse “estado de espírito” é o resultado de operações de marketing que agem pela domesticação dos sentidos. Isso acontece em resposta às transformações econômicas do século 21, marcadas pelo enorme crescimento do consumo, por um lado, e o aumento de produtos similares do ponto de vista técnico e funcional, por outro. Essas transformações implodem a lógica de diferenciação das marcas por nomes e rótulos e levam os formatos tradicionais da comunicação publicitária, destinados a audiências de massa, a ceder lugar a “guerras estéticas” em busca de “nanoaudiências” segmentadas. O alvo agora é a conquista das subjetividades, por meio da “colonização da percepção”, procurando “formar valores que nortearão as opções e ações dos consumidores”.[vi]

Adentramos a era da publicidade criativa, em que não se trata mais de alardear propriedades únicas e objetivas dos produtos. O que importa é comunicar uma “personalidade de marca”. “A sedução publicitária mudou de registro, agora investe-se do look personalizado – é preciso humanizar a marca, dar-lhe uma alma, psicologizá-la.”[vii] E é essa humanização que garante o sucesso da colonização da percepção.

A operação de conquista se impõe como um engenhoso aparelho de captura e aparece com nitidez no modo pelo qual as corporações vem transformando palavras de ordem da contracultura em slogans publicitários e bandeiras de suas “causas”. Como destacou Tatiana Bazichelli, isso faz com que uma das questões políticas e culturais mais profundas hoje seja uma “batalha de linguagem” que se reflete na absorção do vocabulário que definia a ética hacker dos anos 1990 – Do It Yourself, compartilhamento e redes sociais, por exemplo – ao discurso dos expoentes do mundo de negócios da web 2.0. [viii]

Difícil, nessa conjuntura, não concordar com Richard Sennett quando afirma que a principal conseqüência do capitalismo contemporâneo é a corrosão do caráter.[ix] Afinal,  a eficiência desse processo de colonização da percepção depende da absorção do discurso de marketing – os antigos códigos da ética hacker — como valores de consumo. Basta ler as tradicionais apresentações “Sobre Nós” do YouTube, Flickr e Facebook para constatar que isso já foi feito. Repetem-se, como mantras, cada um com seus acordes próprios, as idéias de uma comunidade para todos, o espaço aberto, a cultura grátis, o compromisso com o compartilhamento e a conexão entre as pessoas. Como afirma Douglas Rushkoff, “o open-source é aí reinterpretado como ‘crowd- sourcing’, ou seja, apenas uma outra maneira de pegar pessoas para fazer trabalhos em troca de nenhuma compensação”.[x]

É o acesso a esse manancial de contatos e conexões que particulariza a nova geração de celulares smartphones, como os I-phones da Apple, a linha N da Nokia e os Blackberry da RIM. Por meio desses dispositivos, como anunciam as diferentes empresas, cada uma a seu modo, será possível estar em contato com seus amigos, entreter-se, trabalhar, e até receber chamadas simultaneamente. Tudo isso mediado pelos encantos das redes sociais, onde somos mobilizados o tempo todo a mensurar nossa popularidade, competindo por números de amigos.

Mais desconcertante do que essa abordagem quantitativa da sociabilidade e das relações afetivas, é pensar em como essas identidades se constroem. Com perfis baseados em listas de livros, filmes, músicas e produtos, as pessoas passam a ter sua personalidade ancorada naquilo que consomem e as identidades passam a ser identidades corporativas. Além disso, e acentuando o fenômeno do processo de identidade corporativa, qualquer um pode tornar-se “amigo” da Coca-cola, de bancos e empresas automobilísticas.[xi] Para completar, e acirrar o contexto de brandificação do cotidiano, as ações de comunicação passam a expressar o recurso (melhor, a marca do produto) utilizado para a publicação das mensagens – “enviado via Facebook para I-phone”, “enviado pelo meu aparelho BlackBerry da Claro” etc. Em síntese, se antigamente você dizia com quem andava e podia-se dizer quem você era, hoje é a marca do celular que você usou e da sua operadora que dizem por onde você andou.

A batalha pela conquista de subjetividades não se equaciona apenas com recursos de linguagem. É acompanhada por novas e intrigantes “ciências” como o neuromarketing, que objetiva descobrir onde fica e como funciona o botão de compras de nosso cérebro, ou seja, a nossa buyology[xii], e pela conformação a modelos e regras de conduta, procurando apropriar-se das dinâmicas nômades das redes para sedentarizá-las.

Operando como os aparelhos de captura em relação às máquinas de guerra de que nos falam Deleuze e Guattari em Mil Platôs, as táticas de estriamento dos territórios lisos das redes se atualizam no contexto da cultura da mobilidade e são um ponto de partida interessante para pensar as ambivalências do potencial crítico e criativo das microtelas urbanas. É praticamente impossível falar em projetos criativos na área sem esbarrar em uma logomarca. O que é feito para rodar no Android, sistema operacional para celulares desenvolvido pelo Google, para assinantes da T-Mobile, p. ex., não funcionará no sistema Symbian (utilizado pela Nokia) de assinantes dessa mesma operadora. Em casos extremos, um aparelho pode inclusive ser exclusivo de uma única operadora, como é o caso do I-Phone, que é exclusivo para assinantes da AT&T nos EUA.

A tendência é que essa situação não só continue como se torne dominante. O número de celulares no mundo já é quatro vezes maior do que o de computadores pessoais e isso faz que o mercado de aplicativos para celulares se transforme no “canal ideal das empresas para atingir seus consumidores”. Essa tendência é acentuada por outra, a da comoditização das funções de voz e mensagem pelas operadoras, que “explica porque a indústria mobile passou a última década em busca do próximo ‘Killer App’”. [xiii]

Negar a importância de projetos para celular como o Layar[xiv] e o Wikitude[xv], que são navegadores em Realidade Aumentada no espaço urbano desenvolvidos para aparelhos da marca HTC com sistema operacional Android e para o I-Phone, o I-Phone em si, ou a política de desenvolvimento de aplicativos em sistema open source do Fórum Nokia[xvi], seria manifestar a síndrome da nostalgia pelo que nunca fomos.

Nenhuma tecnologia é neutra e a história das estéticas tecnológicas é, pelo menos desde o surgimento da fotografia, a primeira arte técnica segundo Vilém Flusser, um processo de criação dentro de cadeias industriais, em que nos tornamos amalgamados aos aparelhos e às suas regras internas, fazendo com que seja decisivo o enfrentamento das normas pré-definidas no seu programa. Nas palavras do autor:

Isto implica o seguinte: os programadores de determinado programa são funcionários de um metaprograma, e não programam em função de uma decisão sua, mas em  função do metaprograma. De maneira que os aparelhos não podem ter proprietários que os utilizem em função de seus próprios interesses, como no caso das máquinas. O aparelho fotográfico funciona em função dos interesses da fábrica, e esta, em função dos interesses do parque industrial. E assim ad infinitum. Perdeu-se o sentido da pergunta: quem é o proprietário dos aparelhos. O decisivo em relação aos aparelhos não é quem os possui, mas quem esgota o seu programa.[xvii]

No contexto da Internet, essa relação de tensão entre indústria de bens de consumo e criação foi não só maximizada como se transformou, na sua primeira década de existência, nos anos 1990, no seu horizonte artístico. Horizonte artístico esse que era essencialmente crítico e questionador com relação à ascenção da nova economia, por meio da ação de pseudo-empresas, como a eToy, que desencadeou a Toy War (1999) ao ser processada por uma empresa de jogos eletrônicos homônima, e de apropriação de domínios como a feita pelo grupo Yesmen, que registrou gatt.org para difundir contra-propaganda ao GATT (General Agreement on Trade and Tarifs, Acordo Geral de Comércio e Tarifas) da WTO (World Trade Oragnization, Organização Mundial do Comércio).[xviii]

No âmbito da cultura da mobilidade, a abertura para projetos desse tipo é muito menor, dado o atrelamento entre marcas de fabricantes e operadoras. Cada vez mais os serviços e produtos para dispositivos móveis estão não só relacionados com uma determinada marca e modelo de aparelho, como também aos acordos entre operadoras e os fabricantes dos aparelhos. Essa vertente tende a se acentuar, com o deslocamento do mercado de conteúdo para plataformas móveis do browser para as app-stores, como a I-Tunes da Apple ou a OVI da Nokia. Isso porque a reação imediata das principais operadoras, que tradicionalmente foram dominantes no mercado de tecnologias móveis, influenciando a própria fabricação de aparelhos, foi procurar alternativas para contrabalancear o sucesso das lojas de aplicativos das empresas fabricantes de telefones, construindo suas próprias lojas ou conjugando-se às das fabricantes.

Ainda não é claro qual modelo de negócios vingará. Se vingarão estratégias, como a da Vodafone, de disponibilizar aplicativos próprios, de bloquear aplicativos desenvolvidos por fabricantes de aparelhos, como pretende fazer a Verizon nos EUA, ou modelos como a da Telefonica que apostou numa alternativa multiplataformas em operações casadas de lançamento do Android com o HTC Dream na Espanha  e do lançamento do I-phone em diferentes países na Europa e na América do Sul.[xix]

Pessoalmente, parece-me que o modelo da Telefonica deve vingar. Contudo, seja qual for a estratégia vencedora, e é bem possível que todas coexistam, o fato é que ela não descartará a questão essencial para qual chamamos a atenção aqui: a superposição de territórios proprietários e marcas no âmbito da cultura de rede na Era da Mobilidade. É a partir dessa superporsição e dos mecanismos de controle do imaginário, pela colonização de sensibilidades que põem em curso, que os processos de estratificação se impõem. Seu reconhecimento não implica a impossibilidade de desterritorializá-los, mas demanda exercícios de reprogramação da comunicação orientada para a mudança cultural, comprometidos com a vontade de reinventar o nomadismo nos territórios informacionais da globalização corporativa.


[i] Measuring the information society, Genebra, International Telecommunication Union, 2009, p. 3-4. Disponível em: http://www.itu.int/ITU D/ict/publications/idi/2009/material/IDI2009_w5.pdf, p. 5-6.

[ii] The Mobile Internet Report, Morgan Stanley, Nova York, Dezembro, 2009. Disponível em http://www.morganstanley.com/institutional/techresearch/mobile_internet_report_theme.html

[iii] Honan, Mathew, “I Am Here: One Man’s Experiment With the Location-Aware Lifestyle”, WIRED, 17.02, 19/01/2009,
http://www.wired.com/gadgets/wireless/magazine/17-02/lp_guineapig?currentPage=all

[iv] A expressão é de Jack Schofield, jornalista do Guardian, comentando a introdução do sistema de anúncios no Facebook.

[v] Rushkoff, Douglas, Life.Inc. – How the world became a corporation and how to take it back, Nova York, Random House, 2009, p. 119.

[vi] Reis, Abel, “Marcas e Mundos Virtuais” em Trópico, 07/05/2007. Disponível em: http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2860,1.shl

[vii] Lipovetsky, Gilles, O Império do efêmero – a moda e seu destino nas sociedades modernas, trad. Maria Luisa Machado, São Paulo, Companhia de Bolso, 2009, p. 217.

[viii] Bazzichelli, Tatiana, “A Reflexion on the activist strategies in the Web 2.0 era.

Towards a new Language criticism”, Vector b, número 22, janeiro de 2009. Disponível em http://virose.pt/vector/b_22/bazzichelli.html.

[ix] Sennett, Richard, La corrosión del carácter – Las consecuencias del trabajo en en el nuevo capitalismo, trad. Daniel Najmías, Barcelona, 9ª. ed., Anagrama, 2006

[x] Rushkoff, Douglas, op. cit., p. 199.

[xi] Idem, p. 204.

[xii] Beiguelman, Giselle, “brandscapes, buylogy e artvertsing (Espaços de fomento, produção e circulação da criação com novas mídias no Brasil)”, em Beiguelman, Giselle et. al., op. cit., p. 105- 109.

[xiii] Khana, Anuj. Market report – The future of mobile application storefronts, Wireless Expetise Ltd., Maidenhead, 2009, p. 7. Disponível em: http://www.wirelessexpertise.com/research.php

[xiv] http://layar.com/

[xv] http://www.wikitude.org/world_browser

[xvi] http://www.forum.nokia.com/

[xvii] Flüsser, Vilém, Filosofia da Caixa Preta, São Paulo, Hucitec, 1988, p. 16.

[xviii] Baumgärtel, Tilman, “Arte en la red y net.art”, em Romano, Gustavo, Net art 0.1 – Desmontajes, Badajoz, MEIAC, 2009, p. 10.

[xix] Khana, Anuj, op.cit., p. 22-23.

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New Sense of Places

A aula de hoje tem como base a discussão do artigo de André Lemos “Mobile communication and new sense of places: a critique of spatialization in cyberculture”. Revista Galáxia, São Paulo, n. 16, p. 91-108, dez. 2008.

Recomendo, como texto complementar, a leitura de Mapas Além-Google, uma entrevista que fiz com esse autor, a respeito de seu projeto SUR-VIV-ALL, a navegação em GeoPLAY, de Rafeal Marchetti e a série Homage to Minimal Information, que venho desenvolvendo.

Com base neste artigo, nos projetos comentados por Lemos e nos que sugiro aqui, proponho as seguintes questões:
Como pensar o mapa — ou as estratégias de mapeamento — como dispositivo crítico do território?
Como GeoPLAY de Rafael Marchetti tensiona o território informacional do Google Maps?
De que forma SUR-VIV-ALL, de André Lemos, opera a crítica das mídias locativas como processo de territorialização?
Como não recair em uma estética da redundância estética, em que se patina na utopia de um mapa na escala 1:1, como um dia sonhou o triste personagem borgeano de “Do Rigor na Ciência”?
Recordando, nesse minúsculo conto, Borges escreveu:
Naquele Império, a arte da Cartografia atingiu uma tal perfeição que o mapa duma só província ocupava toda uma cidade, e o mapa do Império, toda uma província. Com o tempo, esses mapas desmedidos não satisfizeram, e os colégios de cartógrafos levantaram um mapa do Império que tinha o tamanho do Império e coincidia ponto por ponto com ele. Menos apegadas ao estudo da Cartografia, as gerações seguintes entenderam que esse extenso mapa era inútil e não sem impiedade o entregaram às inclemências do Sol e dos invernos. Nos desertos do Oeste subsistem despedaçadas ruínas do mapa, habitadas por animais e por mendigos. Em todo país não resta outra relíquia das disciplinas geográficas.(Suárez Miranda, “Viagens de Varões Prudentes’’, livro quarto, cap. XIV, 1658).
São inegáveis os desdobramentos da explosão dos novos formatos de mapeamento e localização que se abrem com a popularização dos GPSs e a acessibilidade dos mapas on-line. Tudo isso, no entanto, aponta para novas dinâmicas geopolíticas e para certa redundância estética, em que se patina na utopia de um mapa na escala 1:1, como um dia sonhou o triste personagem borgeano de “Do Rigor na Ciência”.

Nesse minúsculo conto, Borges escreveu:

“Naquele Império, a arte da Cartografia atingiu uma tal perfeição que o mapa duma só província ocupava toda uma cidade, e o mapa do Império, toda uma província. Com o tempo, esses mapas desmedidos não satisfizeram, e os colégios de cartógrafos levantaram um mapa do Império que tinha o tamanho do Império e coincidia ponto por ponto com ele. Menos apegadas ao estudo da Cartografia, as gerações seguintes entenderam que esse extenso mapa era inútil e não sem impiedade o entregaram às inclemências do Sol e dos invernos. Nos desertos do Oeste subsistem despedaçadas ruínas do mapa, habitadas por animais e por mendigos. Em todo país não resta outra relíquia das disciplinas geográficas (Suárez Miranda, “Viagens de Varões Prudentes’’, livro quarto, cap. XIV, 1658)’’.

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Território e Agenciamento nas Redes

Profa. Dra. Giselle Beiguelman

COS – PUCSP, 2º sem. 2010

Plano de Aulas (calendário e leituras)

Território e Agenciamento nas Redes (Ementa)

Parte-se do pressuposto que a proliferação de aparelhos móveis, a multiplicação dos pontos de acesso a redes sem-fio, a expansão do raio de cobertura das tecnologias 3G e a popularização dos recursos das mídias locativas redimensionam a discussão da cultura de rede para as escalas que se concentram e se projetam a partir de telas que cabem no bolso de qualquer um. Por serem extensões de dispositivos complexos e inteligentes, dotados de conexão à Internet e acesso a serviços e redes sociais, abrem possibilidades inéditas de fomento ao consumo, controle e uso crítico e criativo das mídias existentes e apontam para diferentes concepções e tendências políticas da ecologia midiática atual. Mapear e discutir as zonas de tensão que emergem nos confrontos e acomodações dessas tendências, como forças de territorialização e agenciamento e possibilidade de mudança cultural, constituem o objetivo central deste curso. Do ponto de vista teórico, apoiaremos a discussão sobre territorialização e agenciamento no pensamento de Gilles Deleuze e Felix Guattari. Já as questões relacionadas à apropriação e uso de meios de comunicação nos processos de mudança cultural seguirão as reflexões mais recentes de Manuel Castells e de Ned Rossiter. Estudos de caso, baseados em projetos artísticos, campanhas publicitárias e ações experimentais em redes sociais serão a base das aulas e seminários. A metodologia de trabalho na disciplina envolve aulas expositivas e em laboratório, exercícios escritos, discussão de textos e seminários.  A avaliação é processual e compreende: produção de textos, participação em classe e seminários.

Bibliografia Básica

Bazzichelli, T. “A Reflexion on the activist strategies in the Web 2.0 era. Towards a new Language criticism”, Vector b, número 22, janeiro de 2009. Disponível em http://virose.pt/vector/b_22/bazzichelli.html.
Beiguelman, G. Bastos, M., Bambozzi, L. e Minelli, R. (orgs.). Apropriações do (in) comum – espaço público e privado em tempos de mobilidade, São Paulo, Instituto Sergio Motta, 2008. Disponível em: http://www.ism.org.br/ebooks/artemov_port.pdf
Beiguelman, G. e La Ferla, J. (orgs). Nomadismos Tecnológicos. Barcelona, Ariel, 2010 (no prelo)
Castells, M. Communication Power, Nova York, Oxford University Press, 2009Deleuze, G. e Guattari, F. Mil Platôs – Capitalismo e Esquizofrenia. São Paulo, editora 34, 2005, vol. 5
Lemos, Andre, “Mobile communication and new sense of places: a critique of spatialization in cyberculture”, IN: Revista Galáxia, São Paulo, no 16, dezembro de 2008. Disponível em:
http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/galaxia/article/viewFile/6666/6026
Rossiter, N. Organized networks – Media theory, creative labour, new institutions. Rotterdam, Institute of Network Cultures/NAi Publishers, 2006
Rushkoff, Douglas, Life.Inc. – How the world became a corporation and how to take it back, Nova York, Random House, 2009
Santaella, L. Linguagens Líquidas na Era da Mobilidade.
São Paulo, Paulus, 2006.

Estudos de Caso (outros serão apresentados ao longo do curso)

Tokujin Yoshioka. Vitrines de Natal da Maison Hermès em Tóquio, 2009 http://www.youtube.com/watch?v=gyNHJQzn3pw
Sinfonia Verizon (Nova Zelândia), 2009 http://www.youtube.com/watch?v=R3nSoEhY8SM
Móbile Mobile, HTC, Inglaterra, 2009 http://www.theophane.co.uk/mobile-mobile
Interrogative Design Group –
http://interrogative.mit.edu/about/
Transborder Imigrant Tool, 2008 –
http://bang.calit2.net/xborder/
The Aphrodite Project, 2006 –
http://www.theaphroditeproject.tv/
Zexe. Net, 2006 – http://www.zexe.net/
Mobile Crash, 2009 -
http://bambozzi.wordpress.com/projetosprojects/mobile-crash/
Suite 4 Mobile Tags, 2009 -
http://www.qartcode.net

Agosto 2010

4 Aula 1

Apresentação do curso

11 Aula 2

Territórios

Lemos, Andre, “Mobile communication and new sense of places: a critique of spatialization in cyberculture”, IN: Revista Galáxia, São Paulo, no 16, dezembro de 2008

http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/galaxia/article/viewFile/6666/6026

18 Não há aula

25 Não há aula

Setembro 2010

1 Aula 3 Panorama das TICs Móveis

(aula expositiva)

8 Não há aula

15

Aula 4

A brandificação do cotidiano

Beiguelman, G. Brandscapes, Buyology e Artvertising. In: Apropriações do (In) Comum – Espaços Públicos e Privados em Tempos de Mobilidade, p. 109-113. http://www.ism.org.br/ebooks/artemov_port.pdf

Shih, Clara. Facebook Era, p. 61-107

22 Aula 5

Sociabilidades Emergentes
C. Shirky. Here Comes Everybody, p. 55-109

Paula Sibilia. O show do Eu, p. 89 – 149

29 Aula 6

Localização Muda Tudo..

L. Santaella. Mídias locativas: a internet móvel de lugares e coisas. Revista FAMECOS • Porto Alegre • nº 35 • abril de 2008 • quadrimestral

Artnode, no 8 (Dossiê Mídias Locativas) – http://www.uoc.edu/artnodes/8/esp/index.html

Outubro 2010

6 Aula 7

Interrogative Design Group (Wodiczko)
http://www.sescsp.org.br/sesc/hotsites/brasmitte/portugues/idg.htm

13 Aula 8 Reprogramação dos Usos

Castells Communication Power, Nova York, Oxford University Press, 2009 (cap. 4)

20 Aula 9 Contra-comunicação

Transborder Imigrant Tool, 2008 – http://bang.calit2.net/xborder/

The Aphrodite Project, 2006 – http://www.theaphroditeproject.tv/

Zexe. Net, 2006 – http://www.zexe.net/

27 Aula 10

Do Contrato ao Contágio (Artivismo, Circuito e Marcas) http://www.slideshare.net/gbeiguelman/arte-contempornea-ps-mdias-digitais

Rushkoff, Douglas, Life.Inc. – How the world became a corporation and how to take it back, Nova York, Random House, 2009, p. 173-208

Novembro 2010

3 Aula 11

Organized Networks

Rossiter, N. Organized networks – Media theory, creative labour, new institutions. Rotterdam, Institute of Network Cultures/NAi Publishers, 2006

10 Aula 12

Guattari - Caosmose – O novo paradigma estético – p. 113 -127

17 Aula 13

Mapas radicais

Lemos, A. http://andrelemos.info/2010/07/mapas-colaborativos/

24 Aula 14

Redes de Tensão

Mobile Crash, Poétrica, Preemptive Media

Dezembro 2010

Quarta

1 Aula 15

Conclusões

8 Aula 16

Avaliação

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Fãs na Era da Inteligência Distribuída

Star Wars: Uncut Trailer from Casey Pugh on Vimeo.

Um dos pilares das narrativas transmídia é a comunidade criativa que se organiza em torno de sua temáticas.

Outro ponto de apoio desse tipo de narrativa é a concepção de produtos serializados.

Star Wars, a saga concebida por George Lucas, é por isso referencial para essa discussão.

Além dos seis filmes que compõem a narrativa central, a série se desdobra em centenas de jogos, episódios televisivos e uma incontável quantidade de recriações feitas por fãs.

E é justamente essa incontável quantidade de recriações o que dá a medida da força de Star Wars como comunidade de interesses.

Isso fica evidente quando se atenta para projetos como Star Wars Uncut, uma rede social abrigada no Vimeo em que o público é convidado a recriar sua cena favorita de Star Wars, comunicando-se por imagens e engendrando novos repertórios estéticos à trama inicial.

A criatividade de algumas propostas, como o curta-metragem  George Lucas in Love, que foi até premiado no Sundance Festival, aponta para uma nova compreensão da idéia do fã, tradicionalmente compreendido como seguidor de um ídolo incontestável.

Esses procedimentos tem se tornado tão constantes e profícuos que a edição do Guardian de hoje traz uma interessante discussão sobre Filmes de Fãs como tendência estética emergente.

Nesse contexto, a cultura dos fãs pode ser entendida como inteligência distribuída? Um formato fora de controle corporativo que aponta para novas dimensões criativas?

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A Lógica do Suplemento

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