GISELLE BEIGUELMAN
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Território e Agenciamento nas Redes

Cartografias Opacas: Território e Agenciamento nas Redes*

A inegável popularização e a bem-vinda melhoria e barateamento dos programas e dispositivos tecnológicos têm sido acompanhados não só de novas esferas de experimentação, mas também de novos equipamentos de domesticação e controle do imaginário coletivo por meio da comoditização de discursos e práticas hacktivistas.

slides 2 e 3

Trata-se de procedimentos que operam pela domesticação dos sentidos e pela conformação a modelos e regras de conduta, procurando apropriar-se das dinâmicas nômades das redes para sedentarizá-las, como os aparelhos de captura em relação às máquinas de guerra de que nos falam Deleuze e Guattari em Mil Platôs.

slide 4

Bom exemplo disso é o crescimento exponencial das redes sociais, indicativo de como são bem-sucedidas as retóricas daquilo que venho chamando de “a era do capitalismo fofinho”. Um capitalismo em que tudo soa onomatopeico, feliz e redondinho, como os logos e os nomes das principais redes sociais da web 2.0.

slides 5 a 10

Elemento fundamental desse quadro cultural é a experiência da mobilidade. Afinal, o que impressiona no âmbito da experiência cultural da mobilidade é o seu atrelamento às esferas corporativas. É praticamente impossível falar em projetos criativos na área sem esbarrar em uma logomarca.

slides 11 a 13

O que é feito para rodar no Android, sistema operacional para celulares desenvolvido pelo Google, para assinantes da T-Mobile, p. ex., não funcionará no sistema Symbian (da Nokia) de assinantes dessa mesma operadora. Em casos extremos, um aparelho pode inclusive ser exclusivo de uma única operadora, como é o caso do I-Phone 3G, que é exclusivo para assinantes da ATT nos EUA.

Negar a importância de projetos para celular como o Layar e o Wikitude, que são navegadores em Realidade Aumentada no espaço urbano desenvolvidos para aparelhos da marca HTC com sistema operacional Android, o I-Phone em si, ou novas perspectivas corporativas, como a preocupação da Nokia com soluções ecológicas, seria manifestar a síndrome da nostalgia pelo que nunca fomos.

Nenhuma tecnologia é neutra e a história das estéticas tecnológicas é, pelo menos desde o surgimento da fotografia, a primeira arte pós-industrial segundo Vilém Flusser, um processo de criação dentro de cadeias industriais. No contexto da Internet, essa relação de tensão entre indústria de bens de consumo e criação foi não só maximizada como transformou-se, na sua primeira década de existência, no seu horizonte artístico. Horizonte artístico esse que era essencialmente crítico e questionador.

No âmbito da cultura da mobilidade, a abertura para projetos desse tipo é muito menor, dado o atrelamento entre marcas de fabricantes e operadoras. Cada vez mais os serviços e produtos para dispositivos móveis estão não só relacionados com uma determinada marca e modelo de aparelho, como também aos acordos entre operadoras e os fabricantes dos aparelhos.

slides 14 a 16

Nesse contexto, “produsadores” , “fansumidores” e usadores críticos tornam-se os atores centrais dos processos que se desenvolvem nas redes. Nesta palestra, serão apresentadas as estratégias que configuram as linhas de força das ações desses grupos. Acredito que a investigação das zonas de tensão que emergem nos confrontos e acomodações entre eles permite-nos cartografar seus procedimentos de territorialização e agenciamento, tornando suas dinâmicas menos opacas.

slides 17 a 27

* Resumo da palestra de abertura do 4o arte.mov, BH, 11/11/2009