Reportagem publicada hoje na Folha de S. Paulo afirma que existe uma crise no Paço das Artes e no MIS. A crise seria resultante de problemas de relacionamento de alguns funcionários com a diretora das duas instituições, Daniela Bousso.

O caráter – supostamente autoritário e centralizador– e a postura agressiva e desrespeitosa da diretora, de acordo com a reportagem, seriam responsáveis por problemas de gestão institucional.

As informações, em grande parte, provem de um formulário em que os funcionários puderam expressar suas opiniões sobre Daniela Bousso.

Pelo que se conclui a partir dessa reportagem da Folha, em nenhum momento foram colocadas em discussão e para avaliação questões relacionadas à política cultural do Estado.

É informado, brevemente, que há uma insatisfação da Secretaria de Estado da Cultura com os números de visitantes que o MIS recebe por mês.

Não há qualquer menção ao fato de ter sido a gestão de Daniela Bousso a responsável pela reforma e reabertura do MIS, pela inauguração do primeiro laboratório público de criação com mídias digitais e pela internacionalização desse equipamento cultural, a partir de intercâmbios com centros de excelência como o MidiaLab Prado.

Haveria que se mencionar ainda o destaque que várias mostras do MIS e do Paço tem recebido com frequência nos principais guias e cadernos de cultura e avaliar qualitativamente os impactos dessas instituições.

É preocupante que uma crise institucional em museus públicos tenha como gancho problemas de relacionamento pessoal, um documento preparado pelo conselho (e não por uma empresa ou serviço especializado em gestão de RH) e nenhuma reflexão sobre políticas públicas culturais.