GISELLE BEIGUELMAN
Menu
←︎ Início

Beleza Corrosiva

Beleza Corrosiva

Beleza Corrosiva é uma videoinstalação participativa que aborda os impactos ambientais das tecnologias digitais. Combina um vídeo inteiramente criado com IA (Sora), desenvolvido no contexto do OpenAI Artist Program, com um ponto de doação de lixo eletrônico. As imagens do vídeo, que apresentam um futuro distópico em que os rios são tomados por lixo eletrônico, e as pilhas crescentes de aparelhos descartados produzem, juntas, um efeito mobilizador. Ao final de cada exposição, os materiais são doados a cooperativas de reciclagem de lixo eletrônico. Beleza Corrosiva (2025), de Giselle Beiguelman, foi encomendada para Movimentos Miméticos, no CCBB de São Paulo, e apresentada no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, de 13 de setembro a 30 de novembro. A circulação no Rio de Janeiro e em Campinas inclui FGV-RJ e Sesc Campinas-SP, até junho de 2026.

Conceito

Beleza corrosiva questiona os impactos ambientais das tecnologias digitais, a partir de imagens distópicas de um futuro provável, em que os rios serão tomados por equipamentos disfuncionais de toda sorte. Na projeção, que retrata um rio Amazonas imaginário, paisagens marcadas pelo contraste entre o orgânico e o tecnológico, evocam um estado de “beleza corrosiva”, alusão direta ao verso/conceito surrealista de “beleza convulsiva” de André Breton, porém pelo avesso. 

Beleza corrosiva parte da famosa fotomontagem de André Breton, publicada na revista Minotaure 10 (1937, P. 21), de uma locomotiva devorada pela natureza. A imagem, que ilustrava um texto de Benjamin Péret, sugestivamente intitulado “La Nature Dévore le Progrès et le Dépasse”, coloca em pauta a beleza “explosivo-fixa” que Breton evoca no seu poema “Nadja”, confrontando a tensão entre movimento e repouso e sugerindo a pulsão de vida da natureza em relação à decrepitude da ruína metálica. 

Assistir ao vídeo ↗︎

Essa dinâmica, contudo, não se confirma nas imagens de Beleza corrosiva, onde raízes se entrelaçam em cabos e uma flor brota em placas-mãe, mas não consegue desabrochar. Criado integralmente com inteligência artificial (Sora), o vídeo captura a devastação e as tentativas de resiliência de um ecossistema em fluxo, que tenta desafiar a lógica da devastação, procurando sobreviver, sem conseguir. 

Informações técnicas

A instalação reúne:

  • Projeção em grande escala de imagens geradas por IA.
  • Um ponto de coleta de lixo eletrônico no espaço expositivo.
  • Uma parceria com cooperativas que coletam e reciclam o lixo eletrônico.

O lixo eletrônico doado pelo público é incorporado fisicamente à instalação, formando um corpo vivo, ou em morte, que pulsa entre a obsolescência e a transformação. Ao final da exposição, todo o material coletado é encaminhado à reciclagem, completando um ciclo simbólico de exposição e decomposição.