Futuros possíveis discute temáticas emergentes no campo da preservação do patrimônio artístico e cultural, reunindo especialistas de renome internacional da área de conservação de arte digital e digitalização de acervos. A crescente produção artística realizada com meios digitais e eletrônicos demanda a elaboração de procedimentos específicos para a preservação da memória de bens culturais que, além de efêmeros, implicam novas tipologias e formas de processamento, diferentes dos modelos de catalogação das coleções museológicas existentes.

Fruto de um simpósio realizado na FAU-USP em parceria com o Ars Electronica (Linz, Áustria), este livro visa contribuir com o debate, combinando discussões sobre metodologias de preservação de obras digitais com análises de novos formatos de curadoria de informação.

Também mereceram destaque questões relacionadas aos processos de digitalização das informações sobre acervos, problema que vem se tornando cotidiano nos museus e que carece de uma discussão aprofundada e crítica no Brasil. É necessário ainda assinalar que Futuros possíveis enfrenta tais questões pela necessidade de discutir os aspectos políticos e ideológicos das novas tecnologias de armazenamento.

As reflexões presentes neste volume foram abordadas a partir de quatro módulos temáticos durante o simpósio:

– Novas memórias – arquivos do futuro
– Entre o passado e o futuro – a construção do presente
– O contracolecionador on-line – arquivos e museus pessoais
– Curadoria de informação e estética do banco de dados

O primeiro módulo foi dedicado a novas abordagens em museologia, arquivística e
biblioteconomia, que estão lidando com a elaboração de procedimentos para a preservação e coleta de produtos da cultura digital propriamente dita, como obras de arte on-line, que dependem da preservação de seus contextos tecnológicos para sua compreensão – algo raramente possível. Discutimos, portanto, os desafios da museologia e da história da arte na era da obsolescência programada.

O segundo eixo temático procurou apresentar e analisar as experiências de digitalização de diferentes tipos de coleções (impressas, pictóricas tridimensionais etc.), discutindo questões conceituais e jurídicas relacionadas à publicação dessas informações, junto com problemas referentes à restauração de obras de arte eletrônicas e digitais e à elaboração de instrumentos e programas de catalogação das informações.

Já o terceiro módulo refletiu sobre iniciativas pessoais, informais e não institucionais, por um
lado, tais como Netzspannung, Wikipedia etc., e também corporativas, por outro, como o Google, que vem criando uma contracultura do arquivamento e da musealização, para além do mundo acadêmico e fora da tradição institucional das práticas e políticas de memorização, colocando em discussão seus impactos políticos e culturais.

Finalmente, o quarto módulo apresentou processos de visualização de dados e novas metodologias de organização e publicação de informações, que sugerem não só novas práticas estéticas e culturais, mas também conceituações específicas e abordagens transdisciplinares entre as ciências de programação, da informação, o design e a museologia .

A diversidade de questões e perfis reunidos neste livro enriquece substancialmente a nascente bibliografia sobre os temas propostos no Brasil e no mundo. Sua realização seria impossível sem o apoio da Fapesp, da Capes, do Centro de Preservação Cultural da USP, da FAU-USP e da Embaixada da Áustria no Brasil. A publicação é resultado do apoio da Fapesp e do Itaú Cultural e da parceria entre a Editora Peirópolis e a Edusp.

As organizadoras agradecem às instituições e agências de pesquisa por seu apoio, ao IntermeiosFAU e sua equipe pela documentação em vídeo e sua disponibilização on-line e aos autores e participantes do simpósio. Agradecem também a atenção e o envolvimento de Renata Farhat Borges e Lilian Scutti, da Editora Peirópolis, aos professores José Lira, diretor do CPC-USP na época da realização do simpósio, e Ana Lucia Duarte Lanna, chefe do Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto, ambos da FAU-USP, e ao Superintendente do Itaú Cultural, Eduardo Saron.

(Giselle Beiguelman e Ana Gonçalves Magalhães)

AS ORGANIZADORAS

Giselle Beiguelman é artista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e coordenadora do seu curso de Design (2013-2015). Seu trabalho inclui intervenções em espaços públicos, projetos de rede e aplicações de arte móvel, exibidos internacionalmente nos principais museus de artemídia, centros de pesquisa e espaços de arte contemporânea , como ZKM (Karlsruhe, Alemanha), galery@Calit2 (UCSD , EUA) e Bienal de São Paulo. Foi curadora de Tecnofagias – 3 a Mostra 3M de Arte Digital, entre outras mostras, e é editora da revista seLecT. Em 2014 foi convidada pelo The Webby Awards, International Academy of Digital Arts and Sciences, World Wide Web Foundation e Tim Berners-Lee para integrar um seleto grupo de dez artistas internacionais no projeto The Web at 25, comemorativo dos 25 anos da Internet. Para mais informações, visite www.desvirtual.com.

Ana Gonçalves Magalhães é docente e curadora do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP). Historiadora da arte, atuou como coordenadora editorial da Fundação Bienal de São Paulo entre 2001 e 2008. Magalhães também é membro do Comitê Brasileiro de História da Arte (CBHA) desde 2000. Possui bacharelado em História pela Unicamp (1992), mestrado em História da Arte e da Cultura pela mesma universidade (1995) e doutorado em História e Crítica da Arte pela USP (2000). É docente do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte e do Programa de Pós-Graduação em Museologia, ambos da USP. Além de curadorias de exposição com o acervo do Museu, ela é coordenadora do Grupo de Pesquisa Arquivos de Museus e Pesquisa, e é pesquisadora colaboradora do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Física Aplicada ao Estudo do Patrimônio Artístico e Histórico (NAP FAEPAH), na USP.