Nuvem vulcânica . Volcanic Ash

O caos aéreo na Europa coincidiu com a abertura dos trabalhos do júri do ars electronica, uma espécie de “Nobel” da cultura digital.

A situação é paradoxal. Estar aqui em Linz, na Áustria, discutindo o futuro da tecnologia e as tendências da sociedade em rede e assistir o curto-circuito natureza-técnica que se instaurou com a dispersão da poeira vulcânica proveniente da Islândia.

E digo assistir porque o estado de impotência é total. Não há nada que possa fazer para sair do lugar.

O júri, dividido em seis categorias, reúne de mais 30 pessoas que vieram a Linz e, no momento, estão com dificuldades de voltar para suas casas ou prosseguir suas viagens. Os trens estão lotados e para mim, como para outros vários passageiros transatlânticos a sensação é de estar, subitamente, congelada no espaço e no tempo.

Numa época como a nossa, em que nos acostumamos a conviver com facilidade de deslocamento e especialmente com a possibilidade de ação, via meios de comunicação, em momentos de tensionamento das crises sociais, a nuvem de poeira vulcânica impõe um regime de lentidão que é difícil de traduzir ou explicar.

Tudo parece muito vagoroso. As atualizações dos sites, as twitadas, os posts, a televisão etc não dão conta. Por mais que se fale, se escreva, se enviem mensagens, nada muda, nem poderá alterar o quadro.

O ritmo da nuvem é mais do que lento. É de total imobilidade.